Bruta Flor do Querer

domingo, 5 de fevereiro de 2012
terça-feira, 6 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Fernando que sempre me entende..
Lembro-me bem do seu olhar.
Ele atravessa ainda a minha alma,
Como um risco de fogo na noite.
Lembro-me bem do seu olhar. O resto…
Sim o resto parece-se apenas com a vida.
Ontem, passei nas ruas como qualquer pessoa.
Olhei para as montras despreocupadamente
E não encontrei amigos com quem falar.
De repente vi que estava triste, mortalmente triste,
Tão triste que me pareceu que me seria impossível
Viver amanhã, não porque morresse ou me matasse,
Mas porque seria impossível viver amanhã e mais nada.
Fumo, sonho, recostado na poltrona.
Dói-me viver como uma posição incómoda.
Deve haver ilhas lá para o sul das coisas
Onde sofrer seja uma coisa mais suave,
Onde viver custe menos ao pensamento,
E onde a gente possa fechar os olhos e adormecer ao sol
E acordar sem ter que pensar em responsabilidades sociais
Nem no dia do mês ou da semana que é hoje.
Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender,
Um coração exageradamente espontâneo,
Que sente tudo o que eu sonho como se fosse real,
Que bate com o pé a melodia das canções que o meu pensamento canta,
Canções tristes, como as ruas estreitas quando chove.
Fernando Pessoa.
The one i love
Pode ser difícil sermos amantes
Mas é mais difícil sermos amigas;
Querida, levante os lençóis!
Está na hora de me deixar entrar,
Talvez acender algumas velas;
Eu irei trancar a porta;
Se você falasse comigo
Até que não sejamos mais estranhas.
Coloque a cabeça em meu travesseiro,
Eu sentarei ao seu lado na cama;
Você não acha que está na hora
De dizermos algumas coisas que não foram ditas?
Nunca é tarde para voltar àquele lugar,
De volta para o caminho que nós estávamos;
Por que você não olha para mim
Até que não sejamos mais estranhas?
Ás vezes é difícil de me amar,
Ás vezes é difícil de te amar também,
Eu sei que é difícil de acreditar
Que o amor pode nos salvar;
Seria tão fácil viver sem os problemas
Abrace-me, querida.
Até que não sejamos mais estranhas.
Diga-me quem você vê quando olha em meus olhos;
Vamos unir os nossos corpos novamente,
E as roupas estarão espalhadas pelo chão.
Faça amor comigo, querida.
Até que não sejamos mais estranhas.
Eu estou certa de que nós podemos ir em frente.
Você dá prazer ao meu dia.
Eu deixo você ficar comigo se você se render.
For you, flower of my thoughts.
O que não tem governo
Hoje minha noite foi arrancada de mim. E não era qualquer noite, essa era valiosa.
Bem sei que não devia sentir o q sinto e é como se cada minuto que passa fosse uma dose a mais de oxigênio pra este fogo que só cresce me queimando por dentro. Aflição.
Bem sei que estou prestes a anavalhar minha própria carne e a sentir toda a dor, segundo a segundo, sem parar, sem alívio.
Tento fugir, lutar, cair
É inevitável e quanto mais eu luto mais sou vencida.
Admitir o que não quero, render -me a esse fogo, será minha perdição, minha sentença de morte...será lágrimas que certamente cairão.
Estou a caminho da forca, da guilhotina, da masmorra, sem carrascos a me forçar.
E vou, continuo indo...cada vez mais depressa.
Estou em meu quarto, angustiada como se fosse a única sobrevivente de um massacre. Desordem, pontas de cigarros espalhadas pelo chão e outros intactos a me esperar.
E em nada mais há tanta graça se não no olhar dela, na boca vermelha, na pele branca, nas mãos macias e no cheiro bom que possui.
Não sei se meu peito quer explodir ou se já não pode mais encolher.
Bem sei que ela é como folha ao vento...e que não será minha. E saber disso é como usar um sapato apertado e não poder descalçar.
O frio é ainda mais frio, o calor ainda mais inquietante, a solidão antes boa é agora saudade e como diz nosso sábio Chico, “todos os meus nervos estão a rogar, todos os meus órgãos estão a clamar...o que não tem governo, o que não tem vergonha, o que não tem juízo”.